Santa, pecadora... Olhar pra dentro é ver-se de verdade: enxergar os paradoxos e aceitar[si].

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Maceió, Alagoas, Brazil
Santa, pecadora, com o Amor na veia e a alma nas vísceras.

Contagem regressiva para Tainá pipocar!!!

domingo, 13 de abril de 2008

A “fruta-do-pecado” ganha um anjo.

Ao instante de "Oh! My God "- Jars of Clay


Meu deus, posso reclamar?
Você tira de mim a minha segura fé e insere a minha alma em seu luto
Núpcias, navios e álibis
Todos dispersos e uma mãe a chorar


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Foi a primeira coisa que me veio a mente como título. Essa ironia de perdurar me cansa, por vezes. Ela força tudo mudar e de um jeito que desagrada, fere e cospe na gente. É um gesto estranho viver e um enigma o afã de compreender Deus.

Eu tinha um texto estruturado há dias que irei colocar passo a passo, jogado de sutileza entre outros, que não me entrego ao destino, não. Esse texto foi escrito e virá pra cá, mas não hoje. E por quê? Porque ontem houve uma perda que me pôs na posição de luto. Justamente, na véspera da primavera desse meu ego(eu, moá)-virtual, eu encontro por dês-vontade em luto.

E eu sou mestre em racionalizar tudo, mas sou assustadoramente ousada em me Jogar no sentir. E me re[a]flito que algo há de explicar aquilo que tenho (pior que tenho!) certeza: “nada acontece por acaso.” Mas sem conformidade eu sou questionadora resoluta e me pergunto por que criança tem que adoecer, velho tem que adoecer, animais têm que sofrer para morrer?! É tudo de uma inutilidade absurda isso!!! E esse algo não aparece, a dor entorpece e esse todo-nada faz parte de muita parte uni-ficada vazia-cheia.

A morte representa nada mais, nada menos que a maior de todas as perdas. A castração por excelência. Portanto, a dor subjetiva impera uma série de significantes a serem [re]elaborados pelo indivíduo que ingressará no luto, seja seu, seja sobre outro.

Otto Rank
menciona que a primeira experiência traumática de castração é o nascimento, no qual mãe e bebê são separados um do outro após nove meses de união. O nascimento seria o protótipo de todas as situações de ameaça e perigo.

Pela primeira vez em algum tempo após não fumar, sinto uma falta e desejo do cigarro. Nem preciso dizer que sei que minha oralidade anda á tona. Claro! Eu quero peito, seio-mama, aconchego; necessito de todo colo! Não tenho vergonha disso, só lamento em não regressar e alcançar. Mas ei de sublimar. Ei! É O processo.

“Em Luto e Melancolia” (1917), Freud aborda a questão do luto e sua diferença com relação à melancolia, que consiste em um luto patológico. Para o autor o luto é uma reação natural referente à perda de um objeto amado. É o momento em que o sujeito retira a libido do objeto que foi afastado ou não mais existe. O luto é uma reação absolutamente sadia e faz parte do processo de desvinculação da libido do objeto perdido. Desta forma, a tentativa de interromper o luto é inútil ou até prejudicial ao sujeito, e a brusca substituição do objeto perdido tende a não ser aceita. O processo de desligamento é gradual e demanda um tempo que deve ser respeitado.

O luto, segundo Freud, caracteriza-se por um profundo desânimo e desinteresse pelo mundo externo, pela perda momentânea da capacidade de amar e inibição de toda e qualquer atividade (mesmo aquelas as quais o sujeito antes realizava com prazer). A pessoa enlutada retira a libido anteriormente investida no objeto e a introjeta em seu próprio eu.

O mais interessante é que já não tenho problemas com a questão morte. Mas acredito que jamais terei resolução com a questão do como morrer. E nessas horas de testemunho de morte absurdamente dolorosa eu viro Zaratrusta e açoito meu Deus porque amo meu Deus e exijo resposta! Que mais posso exigir senão um direito meu?!

E das 215 postagens eu escolho uma tríade:

Há-mar To Be Or Not To Be (14 de maio de 2007)
O Eu Meta-forizado (07 de novembro de 2007)
[auto]Definição (23 de fevereiro de 2008)

Não trata-se de favoritismo.
Apenas...
Sem muito pensar, com muito pesar.

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[Imagem bay "pai"Google, ou,
do blogue de um amigo, mas que não tenho
"cabeça" para lembrar agora. Perdão]
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Beijos líquidos.

14 comentários:

Paula Calixto disse...

Parabéns de estranheza medonha!

[...]

Vida-surto, morte-sã[?!]

"Nascer é angustiante."
[S. Freud]

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A qualquer modo:
beijos nim tudo.

Flavinha disse...

morrer deve ser como nascer. Andar rumo a um desconhecido, sem saber o que nos espera. E, no fundo, após o medo vem a placidez.

Beijo, moça.

Mila disse...

Se estas em luto posso entender... não como reages, como encaras ou como estas... mas quem esta... partilha um pouco da mesma coisa... da mesma ausencia... da mesma alegria e da mesma tristeza... e do mesmo "a vida continua"....
Beijos e estou aqui sempre!!!!

Luiz disse...

acho que vou comentar por e-mail, tantos são os símbolos e as deixas para a filosofia. A começar pelo fim, pela palavra tríades(fala Peirce !). Não sei se terei tempo para isso, mas que gostaria, gostaria. beijo

Lorita disse...

Eu não tenho medo de morrer e sim de doer, entende?

Bjm

Diego disse...

*suspiro*

pra mim existem 2 medos relacionados a morte, um é o de viver demais [pra mim é o mais assustador] outro é como a morte acontecerá. Claro que podemos achar registros de apegos desfrutáveis que fazem a vida perdurar... em relação ao luto eu compreendo, pois vejo como um "lugar" na gente ocupado por uma peça importante e que agora encontra-se vazio, é um sentimento cruel e que não conseguimos lidar com facilidade, não dá para aceitar, não dá para entender ... acho que é um passo... um abraço pra vc minha amiga!

beijo

Junkie careta disse...

Enquanto é uma questão teórica, a morte tem uma dimensão na vida das pessoas. quando se experimenta a presença dela em nossa vida, o edifício sucumbe, a outrora montanha vacila.Foi assim quando perdi meu amor, minha mãe. Se eu acreditasse na morte, eu teria me matado.Também açoitei o meu Deus e pedi resposta. Com as respostas que ele me deu, reaprendi a viver.

Vim aqui pedir desculpas e ainda sai aprendendo sobre luto segundo São Freud. Desculpe por não atender seu pedido, mas, uma monografia eterna me impediu de fazer a homenagem.

Grande abraço

Drica disse...

sabe q a minha morte nao me assusta, mas sim a das pessoas q amo, acho este sentimento egoísma, mas o sinto!

e ao ler teu texto nesta parte: "Pela primeira vez em algum tempo após não fumar, sinto uma falta e desejo do cigarro. Nem preciso dizer que sei que minha oralidade anda á tona. Claro! Eu quero peito, seio-mama, aconchego; necessito de todo colo!"
pensei q talvez por isto eu tenha começado a fumar pra valer qd fui morar sozinha, faz todo o sentido....estou numa fase d auto análise, e tbm d análise mesmo, hehehe, pois comecei terapia....e sabe, acho q vai ser mto bom! bjão e fica bem, t cuida! :D

ki-colado disse...

Eu ia contar um "causo" aqui, mas deixa pra lá... As coisas são complicadas mesmo. Então, é tocar a vida avante, porque parar para pensar nos porques trava a mente...

E por falar em coisas inexplicáveis, estive recentemente na Bienal do Livro, uma feira gigante com todos os lançamentos de editoras brasileiras e estrangeiras. Não havia um espaço vago nesse evento, com exceção de um paredão branco, onde estava escrito em forma de pixação: "QUEM LÊ MUITO ESTRAGA AS VISTAS" Pense nisso Paulinha Calixto.

Saudações.

Cris disse...

Morrer é renascer. Boa causa acreditar nisso. Agora como...faz parte da colheita diretamente "linkada" ao nosso plantio.

beijão, lindona.

Sig Mundi disse...

Olá Paula,

Procure pelo seu tempo, esse vazio é maior que a imensidão...

Estava com saudade!

bjs, andrea

paula barros disse...

Oi, Paula
Estou em Macéio, nem deu para avisar.
Tempo bem corrido.
Estou nesse número 33281336 e na segunda pela manhã já retorno.
beijos

elvira carvalho disse...

Quando eu era menina, tinha um medo medonho da morte. Hoje que já estou na 3ª idade, e já passei por tanta coisa, acho que já tenho mais medo da vida, do que da morte.
Sem tempo para mais, deixo um abraço, e uma chamada de atenção para o dia 24 de Abril.
Uma boa semana

Madalena Barranco disse...

Oh, dona Maçãzinha, estou feliz, muito feliz em saber que você está se afastando do cigarro. Sua pele ficará tal qual uma maçã! Luto? Hum, vamos ver se eu entendi... Para mim, quando estou triste não adianta fugir desse sentimento – eu preciso beber a taça de amargura até o fim – somente assim eu posso pôr a cabeça para fora e perceber que o Sol me acaricia e que ele existe de fato. Beijos, querida.