Santa, pecadora... Olhar pra dentro é ver-se de verdade: enxergar os paradoxos e aceitar[si].

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Santa, pecadora, com o Amor na veia e a alma nas vísceras.

Contagem regressiva para Tainá pipocar!!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Das continuidades universais-íntimas.

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O leitor de um romance tem de antemão um empenho pessoal na obra. Está disposto a encarar a estrada com atenção.”

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[Ao son de infinidades-simples de "Two Hearts" -- Phill Collins]

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Esse pensamento pode não tocar em nada em que o lê. Mas, pode abrir um leque de reflexões em algumas pessoas. Aquelas que pausam por necessitar de descanso, de revigorar, são as que mais se atém às interpretações da Vida.

Desprovidas de vírgulas, parágrafos e pontos, elas chegam ao ponto. Não sabem, na verdade, qual o ponto em que vão atingir no cume, mas o almejam; sabem mirar. E o que é esse tal “mirar”?!

Tudo na Vida não seria um romance?! De entrelinhas, de pausas [in]finitas a gente quer, a gente deseja, a gente se mira e almeja -- estar! Onde? Quando? Como? São as questões que nos permeiam. Podem nos impulsionar tanto quanto nos empacar.

É preciso ver a estrada com olhos de sonho. Com coração de romance. Porque o Amor nos clama isso e nos quer inteiros. Pela metade é para quem come a Vida de dieta, de goles comedidos que só combinam com quem quer viver pela metade.

Somos metades inteiras! E nem sempre nos damos conta disso.

Vai ver é por isso que usamos tanto das vírgulas e dos parágrafos como alento: para não encararmos o dolorido que é ser um todo, com imperfeições-perfeitas.




Só uma estrada entende o que são curvas!

E por querer chegarmos ao fim, perdemos a beleza dos meios.

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"No romance, a ligação entre o que se diz e o modo como se diz tem um lugar muito especial. É claro que, se escrevesse de outra maneira, contava a mesma história. O que ocorre é que transponho para o discurso escrito os mecanismos da fala. Afinal, quando nós falamos não estamos a fazer parágrafos nem pontos de interrogação. Falamos como se estivéssemos a fazer música, com sons e pausas. Proponho, então, um pacto, dizendo: aqui não há sinais de pontuação, o que há são sinalizações de pausa; uma leve, simbolizada por uma vírgula, e outra um pouco mais longa, representada pelo ponto final. Se o leitor aceita esse pacto, a história segue. Tudo o que se usa normalmente, as reticências, os pontos de exclamação, o travessão, todas essas coisas, eu pessoalmente considero que não fazem falta. Sinais de pontuação são como os de estrada. Se tivéssemos menos deles, haveria por certo menos acidentes, porque as pessoas conduziriam com muito mais cuidado. O leitor de um romance tem de antemão um empenho pessoal na obra. Está disposto a encarar a estrada com atenção. Quando escrevo um artigo para um jornal, não escrevo assim, pois a leitura é diferente. Num romance, não, ele de certa maneira vive aquela história e capta as intenções do autor. Se quis entrar no 'esquema' do livro, participa desse pacto."

[“Um português de sons e pausas” – Entrevista de José Saramago sobre sua peculiar formatação de escrita sem parágrafos e vírgulas. 09/12/05]


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[Imagem by "pai"Google.

Link do vídeo by "tio"Youtube.]

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Beijos não-pausados.

8 comentários:

Paula Calixto disse...

De inícios e fins...

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Beijos nim tudo.

paula barros disse...

Tanto para ler um romance, para viver a vida, para viver um romance..precisamos encarar a estrada, com atenção, disposto...mas muitas vezes é preciso pausa, é preciso saber mudar de rota, para não se perder no ponto.

abraços. Foi um belo texto produzido, cheios de significados.

Felipe disse...

Eu sempre leio vc e me perco no q vc escreve. Msm nas declarações mais íntimas a gente vê vc transparente. Isso me tocou no momento certo: Só uma estrada entende o que são curvas!

E por querer chegarmos ao fim, perdemos a beleza dos meios.

Q coisa linda e corajosa de dizer!

***)

ki-colado disse...

Sobretudo: Liberdade.
Liberdade, e preparo.

Preparo é necessário.
Sem preparo se pára.

Meta[Amor]foses.

Paulo R Diesel disse...

Gosto muito de ler Saramago e inspiro-me nele quando tento escrever texto ou contos percebendo que os pontos finais ou as vírgulas ou as interrogações que insistimos em colocar nos parágrafos ou nas frases ou nos versos que escrevemos só servem para dar dimensões ou interpretações diferentes a cada leitor que já as podem ter assim, sem virgulas e ponto final.

Beijo Paula

Diego Gonçalves Amaral disse...

interpretar um romance é particular, escrever e entender as interpretações alheias uma arte!

beijo!

ah, gostou do conto? logo tem mais uns!

Malthus disse...

Eu prefiro o seu texto ao do Saramago, pequena notável.

-É preciso ver a estrada com olhos de sonho.

simples e completo... bjo

Paula Calixto disse...

Paula, EU acho que o romance é viver! O livro é a Vida e a gente escreve nossos dias nele formando as páginas da história em que somos Os(AS) PROTAGONISTAS. (;

Felipe, você é um amor, querido! Fico muito feliz em ver que você perdeu o medo de comentar aqui, em vez de só ficar me enviando coment's por e-mail. Tá vendo que EU não mordo?!kkkkkkkkkk... Mas, VOCÊ pode "morder"! [risos] (;

Ki-colado, altamente filosófico, hein!!! O Amor inspira e a gente O expira inevitavelmente, né? (((:

Paulo, eu também o acho interessante! Ele faz uma metáfora que, para alguns, soa como ignorância. Mas, isso é só para os ignorantes: aqueles que não sabem pausar porque não sabem seguir. E povoam a Vida de stop's!!! (;

Diego, escrever a gente escreve, mas o enredo nem sempre sai como a gente quer. Mas é porque a gente não se dá conta, ou, não quer assumir nossa imensa responsabilidade nisso, eu acho. Ah!, vou ver suas prosas lá, sim!!! (;

Malthus, se você for quem eu tô pensando... Nossa! Uma honra seu coment! Quero ter o prazer de assistí-lo novamente, viu? VOCÊ QUE É O MESTRE, Dr.!!! (;


Beijocas em todos.